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Coleção de Presépios
 
   O Museu de Arte Sacra possui em seu acervo uma vertente tipológica absolutamente singular, representada por 130 conjuntos presepistas oriundos de diferentes países e regiões do Brasil. Quatro continentes estão representados no acervo, através de obras provenientes de países como: Bolívia, México, Peru, Chile, Espanha, França, Itália, Polônia, Portugal, Nigéria, Japão, China, entre outros países. Além disso, também diversas regiões brasileiras constam no acervo, tais como: Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina, etc. De São Paulo, destacam-se os presépios de artesãos do Vale do Paraíba, Aparecida do Norte, Taubaté, São José dos Campos, Guaratinguetá e São Luiz do Paraitinga.
   O patrimônio inclui peças que cobrem o período que vai do século XVII ao XX, com obras tanto de anônimos como de artistas consagrados como Fúlvio Pennachi, Mestre Vitalino, dentre outros. Os materiais utilizados na confecção apresentam grande variedade: terracota, madeira, metal, palha, cabaça, tecido, isopor, entre outros.
   Parte deste importante acervo está em exposição permanente, juntamente com o Presépio Napolitano, na área que outrora foi a Casa do Capelão do Mosteiro da Luz.
 

Presépio Napolitano exposto no Museu de Arte Sacra de São Paulo

 
   Francisco Matarazzo Sobrinho, o "Cicillo" adquiriu em 1949 na cidade de Nápoles um presépio feito no século XVIII. Neste período Cicillo já era conhecido como um grande mecenas da arte paulista. Um ano antes havia sido responsável pela criação do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), do Teatro Brasileiro de Comédia e da Companhia Cinematográfica Vera Cruz (os dois últimos em parceria com Franco Zampari).
   Quando chegou a São Paulo, o presépio, com mais de 1600 peças, foi guardado na sede da Metalúrgica Matarazzo. Logo, Cicillo fez a doação do presépio ao município, ficando responsável por viabilizar e custear sua montagem desde que a prefeitura oferecesse um local para sua exposição.
   Foi convidada para ser guardiã do presépio e dirigir os trabalhos de montagem e restauro Lourdes Duarte Milliet, esposa do poeta Sérgio Milliet e irmã do jornalista Paulo Duarte. O trabalho consistia em limpeza, desinfecção e catalogação das peças. Foi feita a triagem, separando as que necessitavam de restauro das próprias miniaturas e de suas vestes.
   Lourdes contou com a ajuda de Gregório Torelli para recuperar algumas figuras, além de lhe ensinar técnicas básicas para a restauração e limpeza das imagens. A responsável pela confecção dos novos trajes foi Gabriela Pascolato, proprietária da Tecelagem Santa Constança, que também se prontificou a envelhecê-los, e aproximar suas cores das diferentes colorações de época.
   Enquanto ainda estava desenrolando a burocracia da doação à Prefeitura de São Paulo, Cicillo obteve junto ao prefeito uma parte da Galeria Prestes Maia para a montagem. O projeto arquitetônico da primeira exposição foi de Túlio Costa, responsável pela pesquisa sobre arquitetura e costumes napolitanos do século XVIII.
   Esta mostra foi inaugurada em 4 de outubro de 1950, dia de São Francisco de Assis - o "Patrono dos Presépios" (considerado o responsável pela popularização do presépio no mundo), ficou exposta durante 11 meses, para logo em seguida ser desmontada e guardada novamente na Metalúrgica Matarazzo.
   Em 1956 foi aprovada a lei para receber a doação e, em 1957, o Presépio Napolitano foi transferido para o Pavilhão do Folclore, sob a marquise do Parque do Ibirapuera. Lourdes Duarte Milliet passou a ocupar o cargo recém criado na prefeitura de "Conservador de Presépios e Museus". Ela e Cicillo passaram os 12 anos seguintes outros conjuntos de presépios do Brasil e do mundo com o objetivo de formarem o acervo de um Museu do Presépio.
   Com o auxílio do prefeito José Vicente de Faria Lima, em 2 de abril de 1969, o Museu do Presépio foi inaugurado com uma exposição no Pavilhão do Folclore.
   O prefeito seguinte, Paulo Salim Maluf transferiu o acervo para o Governo do Estado de São Paulo com o objetivo de integrá-lo ao patrimônio do Museu de Arte Sacra, que iniciaria suas atividades em 1970.
   Em 1985 o Presépio Napolitano foi transportado para o Museu de Arte Sacra onde novamente foi guardado para que fosse providenciada a reforma de um lugar adequado para sua exposição. No ano de 1996, foi novamente exposto no Parque do Ibirapuera. Finalmente, em 18 de dezembro de 1999, o conjunto foi instalado na antiga residência do Capelão do Mosteiro da Luz, aí permanecendo até hoje.
 
Secretaria de Estado da Cultura
Ouvidoria da Secretaria de Estado da Cultura